Inventário? Começa aqui

Quando a família se reúne ao redor da mesa de documentos, a primeira pergunta que surge é: qual o valor real daquele imóvel, daquele carro, daquele ponto de investimento? Se a resposta não for imediata, o processo vira um jogo de adivinhação com risco de briga. Spoiler: a lei tem um caminho definido, e quem desvia pode acabar pagando multas e atrasos.

O que entra na conta

Não é só o bem‑tangível. A avaliação inclui imóveis, veículos, ações, quotas de empresa, joias, obras de arte e até direitos autorais. Tudo que tem preço de mercado ou pode ser convertido em dinheiro entra no rol. E olha, até dívida pode aparecer como redução do patrimônio – nada escapa.

Imóvel: da rua à laje

Para casas e apartamentos, o método mais usado é o comparativo de mercado: pega-se o preço de vendas recentes em região semelhante, ajusta‑se por metragem, estado de conservação e benfeitorias. Se o imóvel for único, como uma chácara ou sítio histórico, entra o custo de reposição + depreciação, ou ainda o valor de renda potencial. Simples? Não. Mas a prática faz diferença gigantesca.

Veículo: quilometragem conta

O carro avalia‑se pela tabela Fipe, ajustada por ano, condição e eventuais modificações. O mesmo vale para motos e barcos. Se o veículo está usado há muito, a depreciação pode chegar a 80 % do preço original. Ignorar isso gera divergência de milhões.

Ações e quotas: mercado em tempo real

Ações são cotadas na bolsa no dia da abertura do inventário. Se o falecido tinha ações de empresas que não são listadas, usa‑se o valor patrimonial ou o preço de venda último registrado. As quotas de sociedades limitadas exigem balanço recente, auditado, para apontar o valor da participação.

Profissionais no bloco

Chega de “eu acho”. A lei exige peritos ou avaliadores credenciados quando o valor ultrapassa certos limites ou quando há disputa entre herdeiros. Eles trazem laudos técnicos, descrevem método, mostram comparáveis, evitam o risco de revisão judicial. Não confie em avaliação casual de algum parente com “olho de águia”.

Documentação que valida

Todo laudo precisa ser acompanhado de documentos comprobatórios: escritura de imóveis, REGISTRO de veículos, extratos bancários, relatórios de auditoria. O perito coleta tudo, organiza em pasta, entrega ao juiz. Falta de um papel? Pode atrasar o processo em meses.

Como o valor impacta a partilha

O montante total determina a base de cálculo dos impostos – o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação). Cada estado tem alíquota diferente, mas a regra geral é que quanto maior a avaliação, maior a tributação. Por isso, um laudo bem fundamentado pode reduzir o imposto em até 30 % se apontar deduções corretas.

O pulo do gato

Quer evitar surpresas? Comece a organizar documentos antes do falecimento. Atualize avaliações de bens periodicamente, sobretudo imóveis e investimentos. Quando o momento chegar, já terá base sólida para o perito e menos chance de conflito. E se precisar de orientação, consulte especialistas em direito sucessório ou acesse casasonlinelegais.com para um primeiro contato. Agora, vá à frente e solicite um laudo preliminar; a diferença entre acertar e errar pode ser a sua tranquilidade.